Muitos acidentes, poucas soluções

Muitos acidentes, poucas soluções

Entidade ranqueia, desde 1960, a cronologia das principais falhas nas barragens de rejeitos em todo o mundo. O Brasil aparece oito vezes na lista

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O WISE Uranium Project faz parte do Serviço Mundial de Informação sobre Energia que estuda os impactos na saúde e no meio ambiente da mineração de urânio e da produção de combustível nuclear. O projeto compila as principais falhas nas barragens de rejeitos em todo o mundo, desde 1960. Já foram listados no relatório, que é atualizado constantemente, 122 casos de acidentes graves. Para figurar na lista, são levados em conta aspectos como volume de sedimentos derramados e o impacto causado pelos acidentes.

O Brasil aparece oito vezes no relatório. E a tragédia de Brumadinho figura como a primeira da lista. O relatório traz a informação dos acidentes, quanto de material residual escapou, quais as consequências e se houve mortos.

Além do acidente em Brumadinho, o Brasil aparece em quinto lugar com um acidente ocorrido em 17 de fevereiro de 2018 em Bacarena, no Pará, numa mina de bauxita. A barragem de contenção transbordou após fortes chuvas – e a empresa sustenta que não houve rompimentos. O que se sabe é que, em decorrência do acidente, líquidos altamente alcalinos e carregados de metal inundaram as áreas residenciais circundantes, inutilizando o abastecimento de água potável na área.

A tragédia ocorrida em Mariana, no dia 5 de novembro de 2015, figura em 13° lugar na lista. Na ocasião, 32 milhões de metros cúbicos de rejeitos inundaram povoados, destruíram mais de 150 casas e deixaram 17 mortos e outros dois desaparecidos. A lama polui o Rio Gualaxo do Norte, o Rio Carmel e o Rio Doce em mais de 663 quilômetros, destruindo 15 quilômetros quadrados de terra ao longo dos rios e cortando o abastecimento de água potável dos moradores. A causa do acidente foi uma falha da barragem de rejeitos de Fundão, devido à drenagem insuficiente, levando à liquefação das areias dos rejeitos logo após um pequeno terremoto.

Em 14° lugar aparece o acidente na mina Herculano, também em Minas, que deixou dois trabalhadores mortos e um desaparecido.

Em abril de 2009, uma forte chuva fez uma barragem transbordar, depois de os canais de drenagem não terem conseguido conter o derrame da lama vermelha residual da extração de bauxita em Bacarena, no Pará. O acidente é 29° mais grave da lista.

Em 32° lugar está o acidente de Miraí, em Minas Gerais. Dois milhões de m3 de lama, contendo água e argila (“lama vermelha”) transbordaram após chuva forte, atingindo cerca de quatro mil moradores dos municípios de Miraí e Muriaé, que ficaram sem casas. As lavouras e pastagens da região foram destruídas e o abastecimento de água foi comprometido em cidades dos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro. O acidente ocorreu em janeiro de 2007.

Ocorrido em 2001, o acidente de Sebastião das Águas Claras, no distrito de Nova Lima, também em Minas Gerais, ocupa o 42° lugar. A causa do acidente foi uma falha na barragem de resíduos de uma mina de ferro. Uma onda de rejeitos viajou por pelo menos seis quilômetros, deixando três trabalhadores desaparecidos e ao menos dois mortos.

E o último acidente brasileiro considerado grave que figura na listagem aconteceu em 1986 e ocupa o 76° lugar no ranking. Foi em Itabirito, Minas Gerais, quando a parede de uma barragem cedeu, liberando  cerca de 100.000 toneladas de rejeitos que percorreram mais de 12 quilômetros.

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