Soluções em busca de sustentabilidade

Soluções em busca de sustentabilidade

Visando alinhar os valores das empresas com os do século XXI, profissionais aplicam o avanço econômico, social e ecológico correto como estratégia de venda

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Fazer o possível (e o impossível) para se destacar por meio da sustentabilidade, tema que se tornou destaque no cenário mundial, é a realidade de muitas empresas que já entenderam que as problemáticas ambientais estão em alta. A lógica do consumo inconsequente tem dado lugar ao uso racional de recursos e à consciência, incentivando práticas sustentáveis em diferentes setores da sociedade.

O perfil do consumidor vem mudando. As informações a respeito das questões ambientais têm mais peso e refletem diretamente nas escolhas dos indivíduos. O Instituto Akatu, organização não governamental sem fins lucrativos que trabalha pela conscientização e mobilização da sociedade para o consumo consciente, publicou pesquisa no ano passado, revelando que 40% das pessoas mudam sua intenção de compra para produtos que visam proteger o meio ambiente. Atento a isso, o mundo empresarial vem se adaptando a novas exigências de legislação, de cultura e de um público cada vez mais atento.

Em março deste ano, representantes de empresas e investidores se reuniram com membros do governo brasileiro para discutir como o setor privado pode mobilizar investimentos em prol dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. Os ODS são uma coleção de 17 metas globais, estabelecidas pela Assembleia Geral das Nações Unidas para o desenvolvimento sustentável do mundo. Englobam questões sociais e econômicas, incluindo: pobreza; fome; saúde; educação; aquecimento global; água; saneamento; energia; urbanização; e meio ambiente.

O SDG Investment Forum, realizado em São Paulo, foi a primeira edição do evento e enfatizou que a agenda proposta pela ONU é uma oportunidade para os negócios. Para o coordenador-residente da Organização no Brasil, Niky Fabiancic, “O knowhow empresarial é muito valioso e determinante para dar escala a boas práticas que viabilizem uma economia sustentável”.

 

Os cinco R’s do consumo consciente: Repensar, Recusar, Reduzir, Reutilizar e Reciclar

Entre as principais práticas adotadas pelas organizações em suas rotinas, está a já famosa ‘redução de custos’, que ainda não saiu de moda. Pelo contrário: projetos modernos visam economizar energia, aumentando a eficiência energética, o que reduz um dos gastos que mais impactam o faturamento de uma empresa.

Os consumidores têm sido alertados (e educados) a trocarem a sacola plástica pela reutilizável; a preferirem copos de vidro ou materiais laváveis, economizando dinheiro e água, aos descartáveis. O índice de reciclagem desse produto no Brasil é muito baixo (inferior a 20%), o que explica o fato dele compor a maior partedo lixo encontrado nos oceanos, juntamente com o canudo plástico. Este último já foi proibido no Rio de Janeiro e em Brasília.

Para uma empresa cumprir sua função de produzir e oferecer bens e serviços à coletividade, com vista, em geral, à obtenção de lucros, mantendo-se integrada ao meio-ambiente e à comunidade em que está inserida, ela precisa ser verdadeiramente sustentável, como explica a especialista em responsabilidade social e administração, Maria Cristina Pegorin. “Comunidade e sociedade são stakeholders diferentes. Com qual deles a empresa irá interagir mais? Ou será com os dois? Depende de características específicas, como setor de atuação, nível de desenvolvimento tecnológico e de maturação do negócio, e tamanho da empresa”, explica.

Multinacionais como Nestlé, Adidas e Lego têm adotado medidas mais sustentáveis em relação ao uso do plástico. O Nescau Prontinho não vem mais com canudinho; um tênis da marca alemã, feito com plástico de oceanos, vendeu mais de 1 milhão de unidades em 1 ano; brinquedos feitos de peças plásticas produzidas a partir da cana de açúcar estão ganhando o lugar dos famosos pedacinhos coloridos derivados de petróleo.

Nem as instalações físicas das organizações ficam de fora. Cada vez mais escassa, a água potável também tem ficado mais cara e o reuso se torna um diferencial. Construções sustentáveis trazem sistemas de captação da água da chuva, que é aproveitada para fins de utilização não potável, como limpeza de maquinário, irrigação de plantas ou lavagem de pátios. Nos processos industriais, a água é reutilizada no mesmo ciclo de produção.

Além disso, a água já utilizada também pode ser reaproveitada no sistema de descargas dos banheiros. A simples instalação de válvulas de duplo acionamento, por exemplo, é um dos meios mais eficientes na economia do recurso natural. No modelo convencional, são despejados cerca de 12 litros de água. Com a válvula instalada, o usuário pode determinar se serão despejados três ou seis litros na bacia. Mudanças que impactam não só na folha de pagamentos, mas também na imagem social percebida pelos clientes.

Se organização é a palavra-chave no ambiente corporativo, quando o assunto é lixo, não pode ser diferente. Quando reciclados e transformados, os resíduos ajudam a equilibrar o ecossistema e reduzir o gasto com matéria-prima. De acordo com o Instituto de Pesquisa Aplicada (IPEA), o Brasil economizaria cerca de R$ 8 bilhões se reciclasse em um ano todos os resíduos que são destinados aos lixões.

Seguindo as tendências “verdes”, outro conceito que chegou para revolucionar o mercado de um dos R’s é a prática da compensação ambiental de embalagens. Consiste em compensar os impactos negativos causados pelas caixas de uma empresa, por meio da reciclagem direta (dos próprios recipientes) ou indireta (de resíduos gerais).

Além de contribuir com a diminuição do impacto no meio ambiente, reciclar garante também diversos benefícios econômicos e ambientais: diminui os custos no processo de produção; gera empregos diretos e indiretos em indústrias, cooperativas e usinas de reciclagem; e, como já foi dito, economiza energia elétrica.

Nesse sentido, a logística reversa tornou-se uma ferramenta fundamental para a sustentabilidade no setor empresarial. Isso porque a responsabilidade de uma empresa por um produto comercializado não acaba quando ele é vendido, mas apenas quando ele retorna para a cadeia produtiva ou tem sua destinação correta. Trata-se de uma ferramenta, prevista em lei, que visa fechar o ciclo de vida do produto; aquele que não for realmente consumido deve retornar de forma útil ao setor produtivo, ou ser descartado corretamente. A Política Nacional de Resíduos Sólidos, que regula a Logística Reversa, verifica, por meio dos órgãos reguladores de cada estado, o cumprimento ou não da mesma.

As práticas aplicadas no fim de vida do produto exigem, na maioria das situações, a conscientização e motivação dos clientes para que eles sejam parceiros da empresa na disposição correta do produto e também na integração de empresas parceiras que irão atuar na logística reversa, reitera Maria Cristina Pegorin. “Um exemplo de prática que motiva o cliente é o upcycling, que incentiva o cliente a retornar o produto em fim de vida para a empresa e obter com isso algum tipo de vantagem, tal como o desconto na compra de um produto novo”, diz.

Segundo a legislação vigente no Brasil – Lei da Política Nacional do Meio Ambiente –, todos os impactos causados por uma empresa precisam ser amainados, pois geram um custo indireto sobre a saúde, meio ambiente e sociedade. Se ‘prevenir é melhor do que remediar’, pensar o ciclo de vida inteiro do produto antes mesmo de ele ser criado pode evitar futuros impactos ambientais que sejam negativos e desnecessários.

Essa é a função do ecodesign, de acordo com Cristina, outro exemplo de prática no desenvolvimento do projeto de um novo produto ou melhoria de um já existente. “Desde o início, há a preocupação de utilizar o máximo possível de recursos renováveis e biodegradáveis, diminuir o consumo de energia e as emissões de gases de efeito estufa na produção e no uso do produto, e apresentar a previsão e indicação a respeito do que será feito com os resíduos do produto quando este for descartado pelo consumidor final”, completa.

A evolução das legislações e o amadurecimento das diretrizes traçadas pelos órgãos responsáveis exigem dos gestores uma atenção redobrada. Em caso de impactos ambientais, por exemplo, a multa prevista pode variar de R$ 50 a R$ 50 milhões, dependendo da gravidade do caso, do histórico jurídico e da situação econômica do infrator.

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