A gestão que queremos

A gestão que queremos

Fogesp ventila reflexão sobre quais caminhos seguir para alcançar maior eficiência na administração pública brasileira e põe o cidadão no centro do debate

 

Em uma sociedade democrática, as decisões que tangem o setor público são tomadas, num primeiro momento, a partir do voto dos cidadãos. No entanto, especialistas alertam que o futuro não é definido somente nas urnas. Por isso, em ano eleitoral, faz-se necessária uma pausa prévia para se pensar – e repensar – o atual modelo de gestão. Foi esse o objetivo maior do Fórum CFA de Gestão Pública, promovido pelo Conselho Federal de Administração (CFA), no começo de junho, em Brasília.

O cientista social francês Gilles Lipovetsky abriu o evento com a palestra magna “Novos papéis nas relações da sociedade com o Estado”. Considerado como um dos pensadores mais expressivos do mundo em atividade, ele explicou que o hiperindividualismo vivido pela sociedade atual enfraquece a moral e promove uma “crise da desconfiança nas democracias”, suprida muitas vezes pelo consumo.

Segundo Lipovetsky, os cidadãos não se reconhecem mais naqueles que os representam, o que os leva a desconfiar também da Justiça, das instituições e até da mídia. Tal comportamento é evidenciado pelo forte crescimento do abstencionismo de protesto – aumento do número de eleitores que não exercem, deliberadamente, o seu direito de votar – e pela quantidade elevada de votos brancos e nulos. Esta é uma realidade não exclusiva do Brasil. “Na Espanha, a maioria dos cidadãos declara não confiar nos partidos. Na Europa, nem na União Europeia eles acreditam mais”, alerta o pensador.

Apesar do quadro generalizado de desconfiança, Lipovetsky acredita que o desinteresse na política não é absoluto, mas que a forma de expressão usada pelo ser humano mudou. “Vemos desenvolverem-se modelos inéditos de envolvimento do cidadão que não seguem a via eleitoral clássica. As formas de mobilização e as atividades políticas estão se desenrolando fora dos partidos. Estão progredindo modelos de solidariedade coletiva, novas formas de questionamento e de denúncia do poder. O que se articula é uma democracia da expressão na qual os cidadãos possam intervir diretamente; uma democracia de supervisão dos poderes pela sociedade civil e não mais monopolizada pelos partidos“, afirmou.

 

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